Eu: Você também tá vendo um hipopótamo?
Ele: Tô!
Eu: Ah, bom, só pra ter certeza.
E nenhum dos dois conseguiu parar de rir pelos últimos 40 minutos (ou sei lá) de filme.
Retardos mentais à parte: Pina é lindo! Pela primeira vez eu consegui entender a necessidade de um 3D ir além de um capricho do diretor. Direção maravilhosa, aliás, e segundo ele, que entende dessas coisas, a direção de fotografia também está divina. (Só não recomendamos o uso de drogas recreativas nas 48 horas que antecedem a ida ao cinema. Vai que você ainda acha que tá na vibe e fica por aí, vendo hipopótamos ou sei lá… E, não, não estávamos drogados. Somos pessoas de bem! [sic])
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Diz a teletubie que tem que entregar duas cópias do pré-projeto, com capa, amanhã. Daí uma sábia voz me diz: “Pergunta pra ela se ela vai te dar flores e chocolates, porque ela quer te foder”. Ou seja…
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Ela: Essa sua blusa me lembra Juno. *sorriso bonito*
Eu: É, todo mundo fala. *cara de idiota* Aliás, dizem por aí que hoje é aniversário de alguém…
Ela: MEU!
Eu: Pois é, meus parabéns. *abraço mais sem graça da face da Terra*
Ela: Quem dizem por aí?
Eu: Ah, eu tenho minhas fontes. *risinho contido*
E parabéns, mais uma vez, para a minha futura co-orientadora do TCC. *-*
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(Às vezes a vontade é apenas de escrever um desabafo à la “meu querido diário”.)
A verdade é que, desde que voltaram as aulas, eu desliguei dentro de mim aquela válvula que me atormentou durante os últimos meses, o cano de descarga de todas as amarguras dessa vida. E, claro, tão bem quanto eu me conheço, sei que sempre sobra para alguma outra parte fazer o trabalho duro. Se o canal lacrimal está “fechado”, dá-lhe aguentar o ranger dos dentes no meio da noite e a boca travada pela manhã, a gastrite atacando como se não houvesse amanhã. Acontece, por algum canto vai ter que escapar.
Hoje eu me permiti dar uma afrouxada na válvula, por pura consciência do que estava por vir (sem saber que seria ainda pior do que eu imaginava). Então foi assim e, durante o dia, pingou aqui e ali. Pingou sem pingar, só marejando os olhos. Marejou na despedida, no abraço, na conversa, em uma frase perdida e no perder do tempo com uma pessoa querida. Marejou sozinho, dentro do ônibus, voltando pra casa, querendo sorrir e chorar, tudo ao mesmo tempo.
Era só mais um “tchau”, uma festa de despedida para alguém que estava indo alçar vôos muito maiores (e melhores). Alguém com quem eu nem tinha tanta conversa ou algum tipo de relacionamento – forte -, mas que é uma dessas pessoas que nos fazem bem pelo simples fato de dividirem conosco alguns metros quadrados em solo Terreno. Alguém que, por algum motivo jamais explicado/decifrado, eu nunca consegui “não gostar” (e, olha, admito que eu tentei).
Foi só isso. Eu podia discordar de quinhentas mil coisas, mas é uma pessoa por quem eu simplesmente tinha (e tenho!) um carinho maior que o mundo. Daí hoje, assim, em clima de despedida e no meio de um abraço, bate aquela vontade de dizer, “olha, eu vou ficar aqui só mais um minutinho, mas é que eu estou me sentindo tão confortável, para variar”. De qualquer forma, as regras de etiqueta não permitem que as pessoas percam qualquer tipo de tempo em qualquer tipo de demonstração pública de afeto. Logo, eu disse uma meia dúzia de palavras e sai como um foguete antes que algum tipo de cena emocional – da minha parte – se instalasse. Não antes sem ouvir um “Continue firme” que me fez ficar pensando durante algumas longas horas.
Hoje, também, eu me dei o direito de fumar um cigarro. Mais um, menos um, quem se importa. Eu me dei o direito de falar tudo que eu estava pensando para uma amiga que encontrei na beirada da escada, enquanto eu tava ali, tentando fugir de mim mesma. E esse é o problema de reencontrar amigos que são amigos há muito tempo: você sempre acaba encontrando bem mais de você do que gostaria. Eu me lembrei que é difícil, mais do que o usual, engolir o choro em algumas frases, em algumas lembranças, mas eu ouvi, saindo do carro algumas horas depois: “Você é a pessoa mais forte que eu conheço”. E eu achei bonitinho! Eu achei bonitinho quando essa mesma pessoa, um pouco antes, havia me dito que eu sou um tipo de exemplo pra ela, que ela sentiu um orgulho imenso quando um professor disse que eu havia escrito uma matéria linda. E eu tive tempo de me sentir bem mais um pouquinho.
Ainda assim, hoje não inunda. Hoje só forma aquela pocinha sutil, rapidamente eliminada com o passar das mãos nos olhos. Hoje é quinta-feira, não é dia de chorar (como se houvesse um dia certo, claro). Hoje tem muito mais coisa pra virar preocupação e pensamento, eu tenho uns 20 livros na fila de espera, vários seriados e uns filmes, mas hoje eu resolvi tomar minha dose de vida real e me deixar sentir um pouquinho (o médico recomendou: sentimentos de duas à três vezes por semana). Então hoje eu vou ali, procuro um abraço, um colo, meia dúzia de palavras. Aquela pessoa realmente interessada em te manter de pé. Amanhã eu retorno à categoria “vilões de gelo” e fico filhadaputa com o universo. Hoje não.
Hoje eu quero um abraço apertado, sem tempo limite, e conversas agradáveis. Amanhã eu volto a odiar o mundo.
And so I run up to the things they said could restore me
Restore life the way it should be
I’m waiting for this cough syrup to come down
Do lado de fora do bar a gente conversa. Eu, você e um amigo seu que, no fim da noite, já seria a pessoa mais querida do mundo. À princípio dá pra cortar a tensão no ar com uma navalha. É a relação espaço-tempo-internet que nos aflige. Mas nada que uma ou duas cervejas (ou doses de vodka com energético) não resolvam. Você esquece que eu sou menininha e enquanto você pede uma Devassa (loira?), eu me divirto dividindo o energético com as amigas da mesa. A vodka é só minha.
“Vou ali comprar um maço de cigarro, já volto!” Enquanto isso, eu me junto ao “meu” grupinho e roubo um cigarro da minha prima. Tá tudo bem. Uma amiga me pega pela cintura e diz que estava morrendo de saudade. Eu também estava, mal sabe ela. Mal sabe ela o quanto eu morro de saudades e de vontade de poder pular em cima dela falando que ela é linda e de passar a noite conversando coisas aleatórias e problemas emocionais. Ela sempre adorou meus conselhos. Você volta. Sem isqueiro. Eu te empresto o cigarro e você acende. A conversa vai…
Você me apresenta seu amigo e eu já me faço de intima. Por quê não? Eu me lembro de como é ser espontânea e esquecer o resto do mundo (ou a vodka me lembra). A gente ri, loucamente, mas em pouco tempo você decide que vai chamar um táxi. Cansaço. Pode não ser o mesmo, mas eu te entendo. Eu também tô cansada de beber todas as noites e não ter ressaca no dia seguinte; tentar afogar os problemas e ver eles nadarem de volta até você; fingir uma espontaneidade tão extremamente forçada que dói até no fundo da alma. Mas essa noite não.
“Fica com meu maço, se minha mãe acha na minha calça vai dar o maior b.o.” Mal sabia como isso ainda iria me salvar – e à minha prima também – algumas madrugadas depois. Quando eu acho que você está prestes a desistir dessa história de arranjar um táxi – nessa avenida? a essa hora da noite? tadinha! -, eu te aviso que vou lá dentro, reabastecer. Quando eu volto você já foi. Uma pena.
Ficamos eu, meus amigos e seu amigo. Mas eu não quero saber do que já me é tão familiar. Os “meus amigos” que não são tão “meus” assim. São meus por osmose, por terem me visto crescer, por terem feito parte da minha infância, de quando eu ainda era uma pessoa normal e com muito potencial na vida. Uns anos antes, uma dessas amigas ficou chocada quando, em uma conversa, eu falava do primeiro namoradinho. Ela dizia que eu ainda era uma criança na cabeça dela. Hoje eu entendo quando vejo minhas primas contando das coisas que aprontam. Mais do que isso, hoje eu me pergunto o que ela diria quando soubesse de como a vida não é mais tão simples.
Eu e ele conversamos, entre goles e tragos. Eu sou novidade pra ele e ele pra mim. Temos a noite toda para nos conhecer. Ou quase. Ninguém tá realmente preocupado em se conhecer agora. A gente quer conversar. A gente quer rir e falar besteira e beber e fumar e falar mais besteira e rir dos comentários aleatórios. E rir das besteiras que eu falo, enquanto engulo vodka atrás de vodka pra evitar que a “grande verdade” saia. “Eu quero chorar. Eu penso em morrer com uma frequência anormal. Eu sinto saudade de momentos completamente aleatórios da minha vida. Eu quero sumir e voltar, o tempo todo” Melhores amigos para sempre até a noite acabar.
E ela acaba. A gente se despede, cada um toma seu rumo. A vida continua dali a poucas horas. Já são quase cinco quando eu chego em casa, depois daquela parada estratégica para um X-Defunto. Ninguém dorme de verdade. A gente só fecha os olhos por alguns momentos e espera o tempo passar. Dormir pode não ser a melhor ideia nesse estado e o álcool interfere na minha capacidade de não falar enquanto eu durmo. Já é “amanhã”.
A gente relembra a noite passada, os melhores lances, os novos amigos. A sobriedade ajuda a ver que nem tudo era tão falso assim. Nós podíamos estar fingindo uma cena induzida por substância lícitas, embora prejudiciais, mas no dia seguinte ainda sobraram lembranças, risadas, motivos para retomar. E a gente faz. E pelo próximos dias a gente continua. Eu e ele. Eu, você e ele. Eu e você. Passou a importar, a virar uma ideia. Quando é que a gente vai se encontrar lá, de novo? “Por acaso”? E, como vai você?
E Rita Lee cantando ao fundo: “E, como vai você? Assim como eu, uma pessoa comum, um filho de Deus, nessa canoa furada, remando contra a maré. Não acredito em nada, até duvido da fé.”

